Quem nunca sonhou em trabalhar de casa, fazer o próprio horário e ter mais tempo para curtir a família e realizar projetos pessoais? Parece história de ficção, mas não é. Essa já é a realidade de inúmeras empresas privadas em todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 10% dos trabalhadores têm pelo menos um dia de trabalho remoto.

No Brasil, segundo levantamento da consultoria de recursos humanos Randstad, sete em cada dez brasileiros desejam trabalhar em casa ou outro lugar. Apesar de não terem a opção de realizar suas tarefas de maneira remota em seus atuais empregos, 45% dos participantes do estudo concordam que as empresas estão mais flexíveis.

Uma pesquisa feita pela SAP Consultoria, com 300 empresas de diversos setores em todo o país, revelou que 37% já adotam a prática de permitir que funcionários trabalhem de casa. Para a maioria das empresas, são nítidos a satisfação e o engajamento dos colaboradores.

Realidade no serviço público

Essa realidade não está restrita à iniciativa privada. O serviço público também tem buscado se adequar às novas tendências do mercado. Aos poucos, o trabalho remoto – também chamado de teletrabalho – é adotado nas repartições públicas.

No Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), por exemplo, o sistema foi implementado em 2015. O projeto-piloto teve a adesão de 75 servidores e durou 18 meses. Os resultados foram tão surpreendentes que, em março de 2017, a implantação definitiva do teletrabalho foi aprovada pelo Tribunal Pleno do TJDFT.

A supervisora do Serviço de Autuação de Processos Oriundos da 1ª instância – SERAUT, Mônica Esmeraldo de Lucena Oliveira, explica os benefícios que o teletrabalho trouxe para o Tribunal. Além da economia, “o servidor trabalha mais satisfeito, pois suas prioridades são atendidas, ficando a seu critério o horário de trabalho”, disse Mônica, destacando que o trabalho remoto também aumentou a produtividade.

Foi o caso da servidora Ana Carolina Santana. Ela trabalha no TJDFT desde 2011 e optou pelo teletrabalho pela conveniência, comodidade e melhor administração do tempo. “Gasta-se menos tempo no trânsito com o deslocamento e a logística de estacionamento, já que, para utilizar o transporte que o Tribunal oferece, você precisa sair até uma hora e meia antes do horário do expediente”, explica.

A adaptação de Ana ao teletrabalho foi tranquila, inclusive percebeu que sua produtividade aumentou desde que passou a trabalhar de casa. No entanto, ela diz que é fundamental ter concentração e saber gerenciar seu tempo para alcançar esse resultado. “Em casa, as distrações podem ser das mais diversas: televisão, telefone, família, atividades domésticas, problemas”, ensina a servidora.

Requisitos

Os servidores do TJDFT que desejam trabalhar de casa precisam ter, no mínimo, um computador e uma linha telefônica. Além disso, quem adere ao teletrabalho tem metas 15% maiores que as estipuladas para os servidores que continuam trabalhando nas dependências do Tribunal.

Com a implementação do Processo Judicial Eletrônico (PJe) e do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que migrou os processos administrativos para o meio eletrônico, o teletrabalho no Tribunal ganhou ainda mais força. Atualmente, 373 servidores realizam suas atividades em casa, por meio da nova proposta de trabalho do órgão.

O futuro é remoto

Nem todas as empresas – públicas ou privadas – estão aptas para implementar o trabalho remoto. Além disso, nem todos os profissionais têm o perfil necessário para executar atividades fora do escritório. Entretanto, essa é uma tendência que veio para ficar. Para evitar dor de cabeça na hora de levar o trabalho para casa, é preciso ficar atento a alguns detalhes.

Regras claras – A empresa que abrir as portas para o trabalho remoto precisar determinar regras claras e definir quais são as funções/cargos que estarão aptos para o teletrabalho. Conhecer o perfil de cada funcionário também é fundamental para determinar quem vai ou não se adequar à proposta de trabalho. Os gestores precisam, ainda, promover encontros e reuniões periódicos para fazer avaliações, estabelecer novas rotinas e metas.

Local arrumado – Trabalhar em casa, deitado na cama, tomando café, certo? Errado! A prática do homeoffice exige zelo e cuidado. O primeiro passo é definir um local da casa para criar esse ambiente de escritório. Uma mesa, uma cadeira ergonômica e um computador são os itens básicos. Investir em uma boa iluminação também é recomendado.

Horário definido – O trabalho em casa é mais flexível. Mas, para atender as demandas e cumprir metas, é essencial que o funcionário defina um horário para começar e terminar as tarefas. Uma mãe, por exemplo, pode realizar suas atividades profissionais no turno em que os filhos estão na escola.

Cuidado com as distrações – A servidora do TJDFT, Ana Carolina, explicou que as distrações são muitas. Ela ensina que é preciso administrar essa realidade para dar conta do recado e não se perder nela. Ela conta que colegas do Tribunal não se adaptaram ao teletrabalho justamente por conta das distrações. “Conheço algumas pessoas que não se adaptaram por causa dos filhos e das atividades domésticas”, disse.

Ana Graciele Gonçalves

Assessoria de Comunicação CFA